Cape Verde Islands

Friday 20.09.2019

 
 
Ver mensagens sem resposta | Ver Tópicos ativos

Criar Novo Tópico Responder a este Tópico  [ 11 mensagens ] 
Autor Mensagem
 Assunto da Mensagem: SALVEM A ILHA DO SAL!
MensagemEnviado: segunda ago 31, 2009 9:22 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: sábado jul 18, 2009 12:49 pm
Mensagens: 18
Localização: Portugal
Estadia de 7 noites para 3 pessoas, um duplo e um single, no hotel Dunas do Sal, em regime APA, mais aluguer de todo-o-terreno (Ford Everest) por 5 dias, vendidos pela Abreu Viagens e Barracuda Tours. O hotel Dunas do Sal é uma unidade hoteleira recente, de arquitectura razoável, dispondo de uma agradável piscina, com quartos amplos, pese embora a reduzida área de casa de banho, compensada pela generosidade do espaço de varanda equipado com duas espreguiçadeiras de lona. O reduzido número de quartos torna-o muito simpático, evitando aglomerações excessivas de clientes quer nos pequenos-almoços quer na utilização da piscina. O pessoal é discreto, simpático e profissional, realçando-se a boa qualidade da cozinha, apesar das doses servidas pecarem pela pouca abundância e variedade. Embora a sua localização se encontre na segunda linha de construções, a distância a vencer a pé até à praia é moderada, pouco mais de cem metros. O mesmo não se dirá em relação ao centro da vila de Santa Maria, mais de um quilómetro, a obrigar preparação prévia em corta-mato e cabra-cega para percorrer a esventrada picada, sem iluminação nocturna, que conduz o incauto turista até lá. Se acontecer uma chuvada, como nos aconteceu na pretérita semana de 22 a 29 de Agosto, será recomendável o uso de gabardine e galochas caso não disponha de material de mergulho, bem como dispositivos de visão nocturna. A alternativa é, claro, o recurso a um táxi ou, como nós, a utilização da viatura alugada.
A vila de Santa Maria poderia ser um local a visitar e explorar, caso não tivesse sido completamente descaracterizada, tornando-se num amontoado caótico de casas sobrepondo-se andares às edificações originais, uns concluídos outros não, arrasando-se outras para dar lugar a “coisas” do pior gosto suburbano e, mais grave, avançando a construção pela linha dunar num manifesto desrespeito ambiental. Se exceptuarmos dois ou três arruamentos onde se pode circular calmamente a pé, todo o resto das vias de circulação encontra-se no pior estado de degradação e conservação ou, muito pura e simplesmente, não existe. E, quanto mais periférico em relação ao centro da vila, pior. Dir-se-á: é África, é um país pobre. No caso específico de Santa Maria essa desculpa não colhe, e ao fim de mais de trinta anos de independência já demos o suficiente para esse peditório. O turismo representa cerca de 23% na formação do PIB de Cabo Verde, (dados de 2007), e mais de 80% desses 23% do PIB provêm exactamente do turismo de Santa Maria. Um pouco de cuidado urbanístico e ambiental não é pois exigir muito. Há falta de verba orçamental? Talvez. Contudo o senhor presidente da câmara municipal do Sal dispõe de uma opulenta residência oficial em plena Santa Maria, ocupando uma área de 1.800 metros quadrados, bem provida ao anoitecer pelos inúmeros topos de gama 4x4 da praxe. Quem, como nós, conhece um pouco de África, sabe como é.
Dos restaurantes experimentados salientar-se-ia o Caranguejo, um pequeno corredor com mesas para duas pessoas, seguido de um pátio aprazível com mesas mais vastas, servindo uma excelente e diversificada cozinha italiana com um serviço de mesas correcto e rápido; o Centro Cultural, na praça principal da vila, para apreciar a excelência da cozinha cabo-verdiana, a muita simpatia do serviço e a qualidade da música das quintas à noite; o Américo para a simplicidade de um bom peixe grelhado; evite o Atlantis, de muito amável gerência francesa num espaço fabuloso à beira-mar plantado, onde o muito bom anda a par do muito mau, depois de um carpaccio de atum e peixe-serra a pedir 20 valores seguiu-se um intragável e inqualificável polvo grelhado.
Saindo de Santa Maria em direcção à Murdeira evite olhar para os lados. À esquerda a pornografia de um imenso estaleiro com aldeamentos a eito em construção, muitos deles parados há dois anos, vedações sobre vedações de mais projectos de mais aldeamentos, e mais dois campos de golfe anunciados, e nada de saneamento básico nem de abastecimento de águas a tanto condomínio e relva prometida. À direita, o horror de quilómetros de entulhos vazados junto à Serra Negra. Se não acredita, vá: na terceira rotunda de quem sai de Santa Maria, meta pelo trilho à sua direita e experimente o sentimento de revolta e indignação únicos pela sordidez de se aviltar assim a beleza de um imenso areal. Experimente, contudo, o sossego da Calheta Funda ou da Beirona, banhe-se nas águas tépidas e calmas dessas praias, tendo sempre em atenção a possibilidade de cravar num pé o caco de uma garrafa de cerveja partida, pelo que se recomenda o uso de sandálias adequadas à situação, até mesmo durante o banho, mais vale um original banho de sandálias do que um pé a exigir cuidados médicos. Se os necessitar tem à sua disposição duas clínicas privadas, uma em frente do hotel Crioula, a Clinitur (telf. 242 15 19) e outra na Murdeira, o Centro Médico da Murdeira (telf. 241 34 51). Se lhe falarem na praia da Fontona, próxima de Palmeira, o melhor é mesmo esquecer. As centenas de garrafas de cerveja, repito e sublinho, as centenas de garrafas de cerveja espalhadas pela praia de calhaus rolados afastam o mais intrépido aventureiro. Prefira a experiência de um banho salino e morno em Pedra Lume, um pouco à moda do “fosso dos crocodilos”, mas aí sem a omnipresença das ditas garrafas de cerveja, aproveitando para gozar a beleza da caldeira do vulcão e os tons rosáceos das formações de sal. Se porventura a fome apertar, desaconselhamos uma ida ao restaurante Cadamosto. A experiência por que passámos com uma garoupa mal grelhada, estilo sushi rescendendo a alho, é sempre de evitar. Vá até Espargos e delicie-se com uma cachupa no Bom Dia, beba uma Strela e a vida sorrir-lhe-á. Para estômagos mais frágeis deverá haver sempre um antiácido à mão, pelo que vivamente aconselhamos a não se esquecer de os adicionar à mala de primeiros socorros, assim como a inevitável Dimicina e o Ultralevure. Pelo que soubemos, durante o percurso de regresso a casa, no hotel Belo Horizonte houve uma crise de diarreias, resultado incontornável da animação do “tudo incluído”.
E já que está em Espargos, vá até ao norte da ilha. Para melhor desfrutar da paisagem é obrigatório dispor de um todo-o-terreno, as excursões organizadas são sempre muito limitadas, caso o seu orçamento o permita não hesite em alugar um, há-os para aluguer logo no início de Santa Maria, nas proximidades do hotel Morabeza, a partir de 50/60€ por dia. O nosso, um vetusto Ford Everest a pedir urgente reforma da suspensão, alugado à Barracuda via Abreu, foi bem mais caro mas vá lá, portou-se bem. Acelere ao passar pela zona periférica da cidade e pelo início da Terra Boa, a quantidade de lixo, sacos de plástico, sucata, entulho, garrafas vazias, não é compatível com a inexcedível simpatia e bondade dos cabo-verdianos. A seguir espanta-se com um deserto polvilhado de formações vulcânicas, miragens no horizonte, passeie-se à vontade sem receios de se perder, são as melhores paisagens da Ilha do Sal, a excelência do seu património natural. Pena não estarem ainda a recato dos “negócios” – parque natural, por que não? – evitando o que por lá andam a fazer com a extracção de inertes, alimentando o outro “negócio” dos aldeamentos. Ou será um só e único “negócio”? Os cabo-verdianos mereciam melhor sorte e tínhamos boa impressão da classe política cabo-verdiana. Afinal, afinal… pouco difere da angolana. É só uma questão de escala.


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: terça set 01, 2009 3:13 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: sábado jul 18, 2009 12:49 pm
Mensagens: 18
Localização: Portugal
Afinal não somos só nós a queixarmo-nos. A deputada Libéria Brito, do PAICV, diz o seguinte:

"Das visitas às localidades, a Deputada Libéria Brito mostrou-se muito preocupada com o estado de abandono da Vila turística de Santa Maria, por parte da Câmara Municipal. Segundo a mesma, tendo em conta o forte peso da vila na economia local e nacional é inadmissível que Santa Maria esteja ainda privada de serviços básicos e não tenha saneamento adequado, arruamento, fiscalização, espaços verdes e iluminação pública desejada. Ainda sobre a Vila de Santa Maria, Libéria Brito diz que, volvidos alguns meses após a realização do Conselho de Ministros Especializado e da constituição de uma Comissão integrada pelo Ministério da Economia, Câmara Municipal e um representante do sector privado, é incompreensível a falta de acção constatada em que tudo continua no papel, de modo que revela-se imprescindível a materialização das actividades apontadas pelo diagnóstico como sendo urgentes. A reabilitação e a iluminação da estrada de acesso aos hotéis, as intervenções no Pontão de Santa Maria, a resolução do problema da energia e da água, a segurança são apenas alguns exemplos".

Fonte: http://www.paicv.cv/index2.php?option=c ... f=1&id=758


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: terça set 01, 2009 3:40 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: sábado jul 18, 2009 12:49 pm
Mensagens: 18
Localização: Portugal
Intervenção no Parlamento da deputada Janine Lélis, do MpD, em Maio de 2009:

"Sr. Presidente da Assembleia Nacional,
Colegas Deputados
Srs. Membros do Governo

Venho-vos falar do Sal, esperando da parte dos colegas a devida atenção e da parte do governo acções e medidas para melhorar a situação por que passa a ilha neste momento.

O que se passa na ilha do Sal nos dias de hoje em matéria de desemprego está em parte relacionada com a crise financeira mundial que afectou significativamente os projectos imobiliários que estavam em curso mandando para o desemprego centenas de pessoas.
Mas os problemas do SAL, não acontecem só por causa da crise e não podem ser justificadas pela crise. Em grande parte devem-se á não actuação do governo, cuja omissão levou a que o destino tenha deixado de ser tão apetecível.

Falo da ausência de medidas há muito conhecidas, mas não resolvidas.
Falo da necessidade de se construir a Via de acesso aos hotéis
Falo da necessidade urgente de iluminação de Santa Maria,
Falo da frágil, senão escassa intervenção das autoridades em combater o assédio que se fazem aos turistas diariamente.
Falo da prostituição que tomou conta de Santa Maria,
Falo dos jovens sem esperança que encontram a droga em cada esquina,
Falo das famílias que já não podem circular pela vias á noite,
Falo do marasmo que caiu Santa Maria por causa da insegurança.

Nada disso é novidade para o Governo. Que não só conhece a realidade de Santa Maria, que acabei de descrever, mas também a realidade de toda a ilha. Mesmo assim,
• Até hoje não decidiu pela construção da via de acesso aos hotéis,
• Até hoje não conseguiu concluir as obras do centro de Saúde.
• Até hoje não conseguiu resolver o problema de energia e agua para a grande demanda que acontecerá nos próximos tempos.
• Ainda as evacuações para consultas fora da ilha demoram uma eternidade, e fazem-se em função da cor politica ou amizades dos utentes com o INPS
• Ainda não conseguiu resolver a falta permanente de especialistas para satisfazer a necessidade das consultas de especialidade.
• Ainda não temos uma presença policial compatível com as exigências de Santa Maria
• Até hoje não se tem uma alternativa para ultrapassar os constrangimentos face á demora da construção do porto de palmeira
• Até hoje nada fez em matéria de habitação social
• Até hoje não temos a escola do turismo

A situação agrava-se a cada dia que passa e já se pediu ao governo que tome medidas enérgicas, rápidas e eficazes na criação do emprego público através de investimento público que precisa ser feito.

Enquanto isso, a ilha perde cada vez mais a sua competitividade, o turismo perde cada vez mais, os hotéis tem cada vez menos turistas, o desemprego aumenta a cada dia, a insegurança atingiu níveis nunca dantes visto, e as esperanças vão-se esvaecendo a cada dia que passa.

O que pretendo com esta intervenção, é ouvir de V. Excia governantes deste pais, quais as acções a tomar para solução destes problemas e para quando a resolução destes mesmos problemas.

DESPEDIMENTOS
Porto Sal e OPway.- Suspensão temporária por 120 dias,
PG construções tinha em MAIO 2008 180 Trabalhadores neste momento tem 40
Crioula hotel, tinha 200 trabalhadores -neste momento tem 100-
Novohorizonte- Fechado
Belohorizonte com suspensão temporária de cerca de metade dos trabalhadores (60/70)
Deu férias colectivas a 50 trabalhadores
Hotel Dja de Sal 20 a 25 trabalhadores perderam emprego
Morabeza e Albatroz dispensaram outros tantos
Hotel Rio- mais de 30% foram despedidos( tem 700 trabalhadores)".

in http://www.expressodasilhas.sapo.cv/not ... l/id/9435/


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: quarta set 02, 2009 3:40 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: quinta dez 20, 2007 4:24 pm
Mensagens: 123
Localização: Portugal
afs

excelentes posts!!

Também estive no Dunas de Sal e adorei.

Apesar de tudo CV é um oasis em Africa


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: quinta set 03, 2009 10:53 am 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: sábado jul 18, 2009 12:49 pm
Mensagens: 18
Localização: Portugal
Obrigado, Georgelucas, pelas suas palavras. Concordo consigo quando diz ser CV “um oásis em África”, (também não tem petróleo, nem diamantes, nem madeiras…), daí o tencionar regressar para conhecer algumas das outras ilhas. Quanto ao Sal bastou-me a amarga experiência de uma primeira vez, só lá regressarei quando a vergonha do iminente colapso da economia da ilha obrigarem Governo e Câmara Municipal à requalificação urbana de Santa Maria, à construção das infra-estruturas de saneamento e tratamento dos resíduos sólidos, aumento da produção e distribuição às populações de água dessalinizada, energia eólica, etc. E, sobretudo, quando parar o intolerável crime contra o património natural da Ilha do Sal, traduzido na desenfreada extracção de inertes no norte da ilha. Aliás o diagnóstico elementar encontra-se realizado pelo próprio Governo desde Novembro de 2007, se tiver paciência e disponibilidade, leia-o em:

http://www.ingrh.cv/index2.php?option=c ... Itemid=151


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: quinta set 03, 2009 8:50 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: quinta dez 20, 2007 4:24 pm
Mensagens: 123
Localização: Portugal
Pois, o Sal será provavelmente a ilha menos interessante para visitar, se o objectivo é mesmo “visitar”, pois na verdade é uma “língua de areia” com aeroporto e que se está a transformar numa plataforma de um empreendorismo imobiliário e hoteleiro megalómano. Praticamente toda a costa está “vendida” para se construir “mega resorts”.

Depois de conhecer a Boavista (praia bem melhor que o Sal, natureza de ilha vulcánica em bruto, actualmente só tem "ainda" 2 hoteis dos grandes…) e Santiago (praia, montanha, cultura…) pretendo brevemente conhecer as ilhas mais verdes e agrícolas (S. Antão e S. Nicolau).

Quanto ao governo de CV pelo menos “planeia” e tendo um diagnóstico já é um ponto de partida.

Quanto à capacidade de execução… no Sal estão a tentar passar do 8 para 80…e não está a correr bem face à dependência do turismo. Do que vi em Santiago e Boavista não me parece mal face ao contexto de CV.

Não esquecer que em Portugal ainda nos anos 80 (antes da CEE e dos milhões de fundos recebidos) boa parte das aldeias do interior de Portugal não tinham infra-estruturas (estradas, água, electricidade, saneamento) e vilas se tinham eram deficientes. Os meus avós são de “trás os montes” e as férias que lá passava nessa altura eram bem “radicais”.

Mas não tenho dados para avaliar objectivamente quanto mais e melhor CV poderá fazer, repito face ao contexto difícil que têm.


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: sexta set 04, 2009 1:09 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: sábado jul 18, 2009 12:49 pm
Mensagens: 18
Localização: Portugal
Tem razão, Trás-os-Montes nos anos 80 proporcionava experiências, como bem diz, “radicais”. A questão é que Trás-os-Montes, à época, não era um destino turístico com promoção institucional, grandes cadeias hoteleiras instaladas, oferta de pacotes de férias de operadores turísticos, etc. E estávamos nos anos 80, isto é, há vinte anos atrás. Entretanto os conceitos de turismo, como sabe, alteraram-se substancialmente. É claro que CV tem dificuldades próprias decorrentes da especificidade da sua situação, nas apreciações que fiz procurei não me afastar do conhecimento dessa realidade e também do facto, não despiciendo, de ser “generosamente” financiada quer pela UE quer por inúmeros países doadores. E de, no contexto africano, possuir uma elite intelectual e política difíceis de encontrar noutros países de África. Esse facto confere-lhe uma muito maior responsabilidade. Adicione-se o dado incontornável de o turismo ser o motor e o futuro do desenvolvimento de CV, alavancando agricultura, indústria, comércio e serviços. Daí a minha maior surpresa por encontrar na Ilha do Sal situações de todo intoleráveis. Já não falo do caos urbanístico motivado por aquela louca e disparatada construção de aldeamentos, sem primeiro se cuidar das infra-estruturas necessárias. No caso dos aldeamentos, e só me reporto aos que estão em construção, imagine se todos fossem ocupados! Só a carga humana e de veículos automóveis seria bonita, seria… O espaço físico da ilha é o que é e contra esse facto não há argumentos. Portanto, o pensar-se em turismo de massas é uma perfeita “tonteria “, para não dizer outra coisa de recorte mais forte. Agora há “nichos de mercado” que podem ser interessantes, como seja o dos desportos aquáticos, o do “turismo de natureza” ou, mais simplesmente, o do lazer. Mas para isso já dispõem das necessárias unidades hoteleiras. Contudo – espante-se! – não há uma única embarcação salva-vidas, os 8kms da praia de Santa Maria não dispõem de qualquer vigilância, no caso de um acidente de mergulho não há uma câmara hiperbárica, não há uma ambulância, não há bombeiros no caso de incêndio num restaurante ou num hotel, a polícia em Santa Maria não dispõe de um único carro-patrulha e o centro de saúde existente é para receitar aspirinas e medir a tensão arterial. Por favor, não me venham dizer que para colmatar estas lacunas são necessários esforços financeiros incomportáveis. Caramba, é o básico! Para “turismo de natureza” é obrigatório um esforço de limpeza dos milhares e milhares de garrafas vazias abandonadas, dos plásticos, dos entulhos, da sucata. E para isso também a despesa não será muita, bastará sensibilizar a população e os turistas, apelar à boa vontade das empresas de construção e aos hoteleiros, mobilizar as escolas, num esforço em conjunto com os serviços da Câmara Municipal para colocar todo o lixo no sítio devido: a lixeira municipal q se encontra no caminho para Pedra Lume. E, claro está, pôr cobro à extracção de inertes do norte da ilha, classificando como “parque natural” toda a zona a norte da linha Pedra Lume/ Espargos/ Palmeira. Um parque natural gera muito mais receita do que pedreiras!


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: sexta set 04, 2009 8:03 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: quinta dez 20, 2007 4:24 pm
Mensagens: 123
Localização: Portugal
Vou "exagerar" um bocado.

No Sal ainda há poucos anos tinha apenas o sal e um aeroporto (construído inicialmente -já li em qualquer lado- ainda pelo Mussolini na IIªGG). Literalmente não vivia lá nada! É uma ilha minúscula, e era terra de ninguém!!! Assim, continua a não haver lá nada porque nunca houve lá nada!!!!

Agora está destinada a turismo de "massas". “Massas” no sentido do turismo enlatado de granel, e não no sentido de dinheiro.

O meu "sentimento" é que CV está progredir e vai em boa direcção, e o Sal não é representativo do que se passa em CV.

Eu prefiro que o governo de CV faça estradas e infraestruturas nas restantes ilhas.

Em CV não há dinheiro para 1º fazer infraestruturas e depois fazer hoteis....(nem em Portugal....) o que não me parece nada mal...

Assim o governo "concessionou" os terrenos do litoral ao imobiliário. Já tive nas mão "o mapa" e o litoral ficará literalmente ocupado por resorts. Em contrapartida, a maioria das infraestruturas seriam pagas pelos promotores...como o imobiliário está a correr mal...não há infraestrutura...

O Sal vai transformar-se num local de turismo de massas....com grande densidade imobiliária...com todos os problemas associados...etc...será um caso perdido..neste aspecto.

É mais fácil ser pessimista, mas gosto de pensar que tento ser optimista. Por vezes leio os jornais online de CV, e consegue-se perceber que há claramente uma orientação estratégica diferente para as restantes ilhas de "praia" (Boavista e Maio), e que CV se está desenvolver em toda a linha.

Por exemplo em Santiago, dei a volta a toda ilha, passeei pelo interior e pela montanha, e as estradas eram muito boas, com boa parte delas arranjadas muito recentemente.

Quanto à extracção de inertes tinha ideia que tinha sido proibido no Sal, sendo inclusivamente uma das razões invocadas pelos promotores imobiliários para os atrasos nas obras.


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: sábado set 05, 2009 1:39 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: sábado jul 18, 2009 12:49 pm
Mensagens: 18
Localização: Portugal
Caro Georgelucas, a Ilha do sal é um caso perdido. Quanto mais leio, na Net, o que por lá se passa, mais fico convencido.
Por favor, veja esta:

http://liberal.sapo.cv/index.asp?IdEdic ... on=noticia

Quanto à extracção de inertes, a mesma só é proibida nas praias.


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: terça set 08, 2009 3:25 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: quinta dez 20, 2007 4:24 pm
Mensagens: 123
Localização: Portugal
Fica a esperança que na Boavista e Maio (ilhas que "comparam" com o Sal) não façam o mesmo erro!


Topo
 Perfil  
 
 Assunto da Mensagem:
MensagemEnviado: domingo set 27, 2009 6:47 pm 
Offline
Avatar do Utilizador

Registado: sábado set 30, 2006 11:42 am
Mensagens: 21
Localização: Portugal
Opiniões...


Topo
 Perfil  
 
Mostrar mensagens anteriores:  Ordenar por  
Criar Novo Tópico Responder a este Tópico  [ 11 mensagens ] 


Quem está ligado:

Utilizador a ver este Fórum: Nenhum utilizador registado e 1 visitante


Criar Tópicos: Proibído
Responder Tópicos: Proibído
Editar Mensagens: Proibído
Apagar Mensagens: Proibído
Enviar anexos: Proibído

Pesquisar por:
Ir para: