Cape Verde Islands

Wednesday 18.09.2019

 
 
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 Assunto da Mensagem: o seu sonho é deixar umCD gravado
MensagemEnviado: sexta abr 21, 2006 4:30 pm 
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<font color=white>Lá como cá,ou cá como lá,uma coisa ou outra não interessa para o caso,aquilo que me interessa é saber porque razão é preciso estar morto para se dar valor.Por que razão O António variações,éra um doido e vestia-se de uma forma extranha,e agora que está morto à 20 anos,anda tudo a correr aos inéditos e novas edições a saírem e tudo a ganhar e afinal éra um poeta, compositor e interprete dotado de uma voz extraordinária e avançado para a época.(reparem bem,já não é o doido mal vestido)
Ontem para quem teve oportunidade de vêr o programa da RTP Africa,que foi sobre a ilha da Boavista,foi brindado com uma interpretação para "turista vêr"made in Hotel ou Resort com instrumentos musicais todos cheios de XPTO e alta tecnologia.É isso a música de CV?
É isso que nós queremos,ou não será antes o que aqui vos deixo a ler de um artigo que
me leva a pensar que o que ontem se gastou com o "Grupo XPTO" dava para ajudar a não esquecer Pedro Magala e a verdadeira música Cabo Verdeana.

ASemanaonline foi encontrar Pedro Magala na praça de João Galego, Norte da Boa Vista, sua ilha natal. Sempre acompanhado do seu inseparável violão, este que é considerado um dos maiores violonistas crioulos da velha guarda, contou-nos como começou a tocar, como a animação cultural na ilha conhecida por ter grandes tocadores vai entrando em declínio... seu sonho de gravar um CD com músicas da sua autoria, para no dia em que morrer “deixar uma recordação”.




Pedro Ascenção Rocha, ou simplesmente Magala, é um dos maiores violonistas crioulos da velha guarda. Quando surgiu esta paixão pela música?
Comecei a tocar ainda criança, devia ter 10 anos de idade. Aliás sempre fui muito precoce.Para teres uma ideia, aos quatro anos já pegava em pedaços de madeira, colocava umas cordas que encontava por aí e tocava.Também tinha um tio que tocava viola, via-o tocar e mal terminasse pegava na viola dele e imitava-o. Assim fui aprendendo sem que ninguém propriamente me tivesse ensinado. Um detalhe que não podemos esquecer é que naquele tempo a Boa Vista tinha grandes intérpretes que tocavam em grandes festas. Quando vinham ao Norte para as rabecadas, andava sempre atrás deles e assim fui aprendendo.

Tendo em conta os grandes tocadores que existiam na ilha, quando começou fazia parte de algum grupo ou tocava sozinho?
Quando comecei tocava sozinho. Mas quando o meu tio teve a certeza que eu já entendia do assunto, ia gozar a sua festa deixando-me nas rabecadas. Na altura tinha cerca de 11 anos. Lembro-me de estar deitado com o meu avô e de ele ir lá à casa me chamar para ficar no lugar dele.

Assim como aprendeu com um tio, que, ao que parece, muito contribuiu para que fosse hoje o que é, o Magala tem algum filho que lhe segue as pisadas?
Tenho um filho que toca um pouco de violão, mas infelizmente não leva a música muito a sério. Para teres uma ideia, tenho quatro violões em casa e ele não se interessa por nenhum deles. De vez em quando toca alguma coisa, mas nada por aí além. Prefere a agricultura. Esta é uma situação que eu lamento imenso porque a Boa Vista tinha fama de ser a terra de grandes tocadores e capitães. Há uns anos atrás eu estive a tocar em São Vicente e um senhor perguntou-me: É da Boa Vista? E respondi: sou, porque? Ele disse-me que se notava só pelo jeito de tocar, percebia-se, também perguntou-me se havia alguma escola de música na Boa Vista, ao que respondi negativamente. Entretanto, isso são coisas que já lá vão. Agora o que posso dizer é que estamos bastante fracos a nível de tocadores porque muitos já foram e os mais jovens, infelizmente, não se interessam em levar para a frente esta arte.

Existe na Boa Vista uma associação de músicos. O que ela tem feito para divulgar e promover os músicos e a cultura da ilha?
Sei que existia uma associção de músicos em Sal Rei, mas depois que ela foi incendiada não sei se voltou a funcionar.

Antes de ser incendiada o que fazia?
Nunca fez muita coisa, pelo menos que tenha chegado ao meu conhecimento.

O Magala tem algum trabalho já gravado?
Infelizmente não. Há muito tempo que me têm prometido gravar um disco, mas infelizmente tudo não tem passado de promessas. Só a Câmara já abordou este assunto comigo por duas vezes. Quando o Manecas Pereira era presidente chamou-me por duas vezes ao gabinete dele e perguntou-me se estava interessado em gravar um disco, nos Estados Unidos, com o Tazinho, e eu disse-lhe que sim, mas a conversa ficou por ali. Também a Câmara do Djô Pinto, desde o primeiro mandato vem dizendo que me vai ajudar a gravar um CD com o Isidoro, um tocador de violino, mas já estamos a meio do segundo mandato e até agora nada. Estou desconfiado que até já desistiram.

Pessoas particulares têm cogitado a hipótese de me ajudar, mas não tenho tido muita sorte.
Há uns anos gravei uma cassete na Rádio Nova em São Vicente, após ter ganho um concurso musical promovido pelo Ministério da Cultura aqui na ilha. Na altura disseram-me que eu iria tocar em todas as ilhas de Cabo Verde, mas aquilo não deu em nada.

Como fiquei em primeiro lugar perguntaram o que eu queria como prémio, em vez de dizer que queria gravar um disco, disse que queria gravar uma cassete em São Vicente. Mandaram-me um cheque no valor de 196 contos, comprei a passagem e fui a São Vicente. Arranjei o meu acompanhamento e gravei a cassete.

O senhor não tem nenhum CD da sua autoria, mas já gravou com nomes consagrados da música cabo-verdiana como Ildo Lobo. Como foi a sua participação no CD “Nos Morna”?
O Ildo Lobo sempre foi meu amigo, desde o tempo em que ele vinha de férias à Boa Vista, ainda criança. Quando ele me escreveu a convidar para participar no “Nos Morna” foi uma felicidade para mim e eu aceitei na hora. Gravámos na França e foi uma experiência que jamais vou esquecer, pois gravei com nomes como Mário Lúcio Patone e mais outros artistas. A morte do Ildo, ainda tão prematura, foi um choque para mim e uma grande perda para Cabo Verde.

Qual o género musical que mais gosta de tocar?
O que eu gosto mesmo é de música e estou sempre com o meu violão. Por isso toco todos os ritmos, desde a morna à coladeira, mas o que prefiro é tocar a solo.

O Magala nunca pensou em criar um grupo para tocar as músicas tradicionais da Boa Vista e fazer animação cultural nos muitos hotéis que existem na ilha?
Temos um grupo formado por quatro pessoas - eu moro em João Galego, dois em Fundo das Figueiras e o último em Cabeça dos Tarafes - que, de quando em vez, é convidado para alguma tocatina nas outras povoações. Da ilha do Sal também chegam alguns convites para actuar a solo em alguns hotéis. Relativamente aos hotéis cá na Boa Vista, tenho feito contactos mas nunca recebi nenhum feed back. O problema que se põe é que a nível de animação cultural está muito fraco na Boa Vista, sobretudo para nós que residimos no interior. Tenho muita vontade de tocar, mas não tenho onde. Às vezes, para passar o tempo, toco na praça de João Galego, onde geralmente aparece muita gente.

Todos os anos a Boa Vista realiza dois festivais musicais, o festival de morna na praia de Diante e o festival da Praia d’Cruz. O Magala alguma vez foi convidado a participar nestes eventos culturais?
No festival de morna da praia de Diante já participei duas vezes, a convite do Noel Fortes. Mas para o festival da praia d’ Cruz nunca recebi nenhum convite, não sei porquê. Às vezes tenho a impressão que eu sou artista suficiente para representar a cultura boavistense fora da ilha. Entretanto, quando chega o festival de praia d’Cruz e não sou convidado eu pergunto-me porque será? Outros artistas costumam ser convidados, mas a mim nunca a Câmara Municipal dirigiu qualquer convite.

Diz isso com alguma mágoa. Sente-se marginalizado?
Com certeza, como não sentir ? Dão-me valor fora e aqui na minha terra parece que ninguém reconhece o meu trabalho. Em Setembro do ano passado convidaram-me para tocar no Sal e muitas pessoas foram assistir, inclusive lá encontrei um brasileiro que tem uma escola de música nos Espargos que me disse que tinha gostado muito da minha actuação.

Alguma vez fizeram-lhe algum tipo de homenagem?
Neste aspecto não tenho motivos de queixa pois já me homenagearam três vezes. A Câmara já me fez duas homenagens, a primeira no tempo em que o Manecas era o presidente, essa homenagem aconteceu durante as festas de São João. No ano passado por altura das festas do município, eu e um grupo de artistas fomos homenagedos. E uma outra homenagem aconteceu no cinema da vila, vieram até pessoas de São Vicente para assistir.

E qual é o sonho do Magala?
O meu grande sonho é gravar um disco da minha autoria, para no dia em que eu morrer poder deixar uma recordação. Da minha parte, infelizmente, não tenho condições para o fazer e as promessas que tenho recebido não se têm concretizado. Entretanto, se aparecer alguém que me queira ajudar o que posso lhe dizer é que estou pronto para o fazer.

Por favor dêm oportunidades aos artistas que ainda usam os instrumentos acusticos,
antes que seja tarde.Nós agradecemos,toda a gente aprecia mais,e promove a cultura musical viva,tão rica na sua melodia,e autenticidade.
João</font id=white>


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