Cape Verde Islands

Friday 20.09.2019

 
 
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MensagemEnviado: segunda set 11, 2006 12:34 pm 
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Amigos, companheiros, aves e flores deste templo...

de volta a esta roda de tertúlia, apeteceu.me partilhar convosco, um pedacinho de texto de um livro de Teobaldo Virginio, que nos sopra como o vento das ilhas, o rasto dos olhares que deitamos àquele viver...

Oiçam...sintam...

"ECOS de latas pelas fontes da sede crioula, do bico da enxada na desbrava da pedra, das quebradas que deram os vales de cana e grogue, inhames, cebolas e agriões e milho verde, de bocas em graça; da vaga do mar em credos de costa da terra seca em sementes de suor molhadas, do músculo do pilão, da cachupa e da malagueta do caldo fraterno, dos ralos cabelos da tarefa maternal, da hora lirica e da pausa para o amor."

in " Cabo Verde - Parágrafos do meu afecto"

ColarDeEstrelas


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MensagemEnviado: segunda set 11, 2006 3:02 pm 
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Morte súbita

É a lua que me sacia a fome
Tornando-me em vampira
Fazendo com que um corvo chilreie
No meio de uma árvore seca
Comida pelo tempo…

Suspiro por mais uma noite
Cheia de relâmpagos amorosos
Calados entre os passos
De um vácuo escuro por si só…

É por ele que espero sentada
Nesta lama enxuta
Cheia de poeira tresandando
A chuva morta…

Arrasto-me aos pés das estrelas
Que navegam por cima de mim.
Os gritos absorvem o silêncio
Acumulando as nuvens com breves choros
Derramando o sangue pelo mar adentro

Sou eu que alcanço o mar
E por fim…. Morro!

Moonspirit


www.avidanumundo.blogspot.com


Respiro o teu corpo

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade


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MensagemEnviado: terça set 12, 2006 9:08 am 
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Olá Carina

o que dizer de Eugénio, mestre em sensações e delicadas evoluções no rosto das palavras...

O poema anterior, é uma bonita surpresa...gostei imenso do cadenciado, do ritmo da escrita, da beleza meiga que transparece na ponta da mágoa dos dedos que escrevem...

Já fui visitar o blogue, e voltarei...

Vi tb que nesse blogue está referenciado o projecto dos Mininos di Rua. Obrigada por isso. :-)

Se é teu, os meus parabéns. Se não é, por favor transmite à Moonspirit o quanto gostei da sua escrita.

:-)

ColarDeEstrelas


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MensagemEnviado: terça set 12, 2006 10:19 am 
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Olá ColarDeEstrelas!

Realmente Eugénio é um mestre...tal como outros poetas que jamais serão esquecidos.

Quanto ao poema "Morte súbita" fui eu que fiz num dos momentos repentinos que passam pela vida...acho que um dos mais razoaveis que fiz até hoje...

Obrigada pela visita ao blogue, gostei imenso de ver os teus comentários...e sim...é o teu poema...e agora de todos...é espectacular

Sim o projecto dos Mininos di Rua está lá referenciado com muito gosto, visto que gosto de ajudar optei por coloca-lo no blog...sei que não tem muitas visitas (o blog) mas as poucas que tem...contribuem...


Para todos :

Hoje iniciei mais um ano lectivo...pelo meio de um "sermao" chato e sonolento...acordei perante um sonho...sim...vou ter dois colegas de turma caboverdeanos da ilha de Santiago...uauuu...passei-me...será desta vez que aprendo criolo e a dançar quem sabe morna, funana, kizomba, tudo...Espero que inicie uma amizade bem grande...Visto que talvez vá ter duas ajudas caboverdeanas, acho que podemos contar com uma Exposição por Paredes de Coura...


Mininos di Rua un sta ku bo pa sempri...


Bjokas

Carina


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MensagemEnviado: quinta set 14, 2006 8:41 pm 
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Olá

Fico feliz por ver este tópico renascer.
Valha-nos a Colar...
Morgana e Carina, Bem Vindas.
O vosso contributo enriquceu-nos mais um pouco.

Bjs
Cleópatra


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MensagemEnviado: sexta set 15, 2006 8:13 pm 
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ColarDeEstrelas,

Reli e (re)senti algumas das tuas palavras.
É sempre bom...

Bjs e abraços sem ter fim,

Malakaia <img src=icon_smile_wink.gif border=0 align=middle>


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MensagemEnviado: sábado set 16, 2006 3:17 am 
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Linda Malakaia...

Senti a tua falta este verão, hein! :-)

Imagino o que foi de namoricos e coisas que tais...;-)

Fico mt contente de saber que vens à exposição. Aí é que vou conhecer esses abraços todos sem ter fim...:-)

E a Cleopatraaaa?

Tu vens, rainha do nilo, não venssss?

As mulheres têm que estar representadas em majestosa presença...;-)

beijos às duas, acabei de chegar da bailação...depois de quase um mÊs sem dançar, hoje nem sinto as ancas...

aquele funáná mata-me devagarinho, e o pior é que eu gosto!

:-)

ColarDeEstrelas


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MensagemEnviado: domingo set 17, 2006 7:07 pm 
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Colar,

Falas da exposição em C Verde?

Essa não dá para ir... Já fui ao Sal este ano, só tenho mais uma semana de férias e será outro destino, mas quando houver em Lisboa, é claro que vou.

Bjs

Cleópatra


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MensagemEnviado: domingo set 17, 2006 9:59 pm 
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Não Mulher!

da exposição de dia 28/09, no B´leza!

Vai ler o tópico da exposição sorrisos, estão lá os detalhes!

Tá quase, quase!



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MensagemEnviado: segunda set 18, 2006 9:08 pm 
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Para vocês, um poema que transmite o que sinto quando danço, quando oiço, quando sinto os batuques...



"Quando surges na noite..."


Quando surges na noite, quando avanças
porque o som do batuque por ti chama,
teu corpo negro é chama que me inflama,
quando surges na noite, quando danças...

Quando danças, cantando as esperanças
e os desesperos todos de quem ama,
teu corpo negro é fogo que derrama
febre nas almas que repousam mansas.

Tu vens dançando (tudo em mim se agita)
e vens cantando (tudo em mim já grita),
quando surges em noite de queimada...

Depois, somos os dois, no mesmo abraço,
num batuque só nosso, num compasso
mais febril do que toda a batucada!


Geraldo Bessa Victor (Angola)



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MensagemEnviado: sexta set 22, 2006 12:50 pm 
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Porque é importante fazer notar a voz de Àfrica, é importante obrigar as editoras a publicar livros de autores africanos, porque é importante que todos nós, além da música que vamos comprando, tenhamos em atenção os grandes escritores e poetas africanos. Depende de nós, como consumidores, fazer valer a nossa vontade de os ter connosco.

Temos grandes autores já publicados, é certo, como é o caso do Mia Couto, do Germano de Almeida, do Pepetela, do Ondjaki, do José Agualusa etc, e eles são mais que prova da importância escrita, das tradições e costumes, dos sentires e viveres dos Palop´s, que nos vão chegando pelas letras deles.

Compremos livros de autores africanos. Em vez dos Paulos Coelhos, e afins, experimentem pegar num autor diferente...


Aqui deixo mais um autor, um grande autor. Ovídio Martins.


O único impossível


Mordaças
A um poeta?

Loucura!

E por que não
Fechar na mão uma estrela
O Universo num dedal?
Era mais fácil
Engolir o mar
Extinguir o brilho aos astros

Mordaças
A um poeta?

Absurdo!

E por que não
Parar o vento
Travar todo o movimento?
Era mais fácil deslocar montanhas com uma flor
Desviar cursos de água com um sorriso

Mordaças
A um poeta?
Não me façam rir!...

Experimentem primeiro
Deixar de respirar
Ou rimar...mordaças
Com liberdade

Cabo Verde
Ovídio Martins
In «100 poemas», 1974





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MensagemEnviado: sexta set 22, 2006 7:43 pm 
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ColarDeEstrelas,
Só de ouvir falar em Paulo Coelho, ia tendo uma coisinha má. Há quem goste. Mas gostos...talvez se discutam...

Só quero acrescentar um autor angolano, de quem eu gosto muito: Manuel Rui. (Quem me dera ser Onda, Crónica de um Mujimbo, 1 Morto e os Vivos, Saxofone e Metáfora, etc.). Leiam, q vale a pena.

Malakaia <img src=icon_smile_wink.gif border=0 align=middle>


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MensagemEnviado: sábado set 23, 2006 1:06 pm 
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Olá Malakaia,

Não conheço esse autor, ainda bem que o mencionaste, é mais um que irei procurar.

Obrigada. :-)

De salientar tb, Baltasar Lopes, com o excelente romance "Chiquinho".

Eu sinto.me sempre imensamente grata, a quem, escrevendo, nos vai mostrando a sua casa, o seu país, o seu viver. Aprendo mundos, numa só folha.

(E a exposição tá quase aiiii...ai que nervooooss...)



ColarDeEstrelas


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MensagemEnviado: segunda set 25, 2006 8:00 pm 
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ColarDeLuz, Rainha do Nilo e restantes amantes da palavra escrita.

Antes de mais, peço desculpas pois não gosto de fugir ao tema proposto no tópico e muito menos ao tema do fórum Cabo Verde. Mas já q se falou em livros e autores, não resisti.
Este verão li um livro - "A sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón - que aconselho vivamente. Há muito tempo não lia um livro tão bem escrito (se exceptuarmos os autores/dinossauros). Vale mesmo a pena!


ABRAÇOS E BEIJINHOS E CARINHOS SEM TER FIM...

Malakaia <img src=icon_smile_wink.gif border=0 align=middle>


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MensagemEnviado: terça set 26, 2006 9:24 pm 
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Aproveitando este tópico de poemas vou passar para aqui um poema do livro que levei para ler em Cabo Verde mas só consegui ler 29 páginas.
"ANTÓNIO VARIAÇÕES ENTRE BRAGA E NOVA IORQUE" é um livro de Manuela Gonzaga que conta a história daquele que para mim é o melhor cantor português António Variações

A ribeira da minha terra;Oh! Tão bela
Levava água cor de água... era pura!
Donde vinha a ribeira?Não havia serra?
Subia valados, rasga os campos... que encantos!
E quando eu catava... debaixo do areão... que lindas castanhas!
Contava-as na mão!
Sempre gostei da ribeira: era meiga!
No verão refrescava; no inverno gelava... coitada não tinha culpa;
Nem se apercebia que os pés que abraçava, usavam sempre a mesma camisa!
Um dia contei-lhe a novidade:
Sabes?Deram-me uma linda bola azul!
Brincamos meia hora.
Pulou eu, pulou ela, pulou a bola!
Pulou a bola? Oh, sim, pois foi...
Era janeiro, as torneiras do tempo eram generosas.
Vi-a partir toda lampeira;
Ora tocava numa margem, ora tocava noutra margem... embora já longe
Ainda teimava brincar comigo ás escondidas;
Só alguns socalcos e curvas,á frente,é que me apercebi que ia perder
A minha linda bola azul.
Foi minha bola por um dia; a ribeira ficou-me na retina
Fiquei triste, chorei, verti lágrimas? Não sei não me recordo!
Agora, que a ribeira, faz fronteira, com o berço onde o meu irmão
Dorme?...Isso, sim, dá-me lágrimas!

Luis Ribeiro

Este poema feito pelo irmão de António Joaquim Rodrigues Ribeiro (António Variações) conta a história de um dia em que os dois estavam a brincar com a bola e a perderam na ribeira e não sabe se chorou mas chora agora quando se lembra que o irmão António Variações está sepultado perto da ribeira.


Ricardo Pit Bull


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